Escrevi este artigo a partir das informações que recebemos do César, neto do Taú, que estudou profundamente a biografia da bisavó, e do incentivo do Toni, neto da Nair, que já havia escrito um texto a partir das informações de seu pai, o Antônio de Pádua. Agradeço a todos eles as informações que nos passaram.
Nossa bisavó materna nasceu Maria Rita de Oliveira Castro, em 14 de junho de 1861. Filha de Thomaz de Oliveira Castro e de Gertrudes Angélica de Souza. Thomaz exerceu vários cargos públicos no município em que morava.
Rita casou-se com José Fortunato Homem, filho natural de Poliana Rodrigues de Castro e o primeiro Intendente de Jaboticabal/SP. Ela tinha cerca de 14 anos e ele, 22, quando se casaram. Tiveram três filhos: Basileu, que faleceu com 2 anos, Cincinato e Adélia.
Adélia nasceu em 1881 e faleceu em dezembro de 1969, em São Paulo/SP. Casou-se em 1º de outubro de 1898, em Igarapava, com David Pimentel, e ficaram casados durante 60 anos. Tiveram catorze filhos e criaram onze, tendo todos eles constituído seu próprio clã.
Cincinato faleceu em 1945, aos 69 anos, em Sertãozinho/SP, onde viveu e foi tipógrafo. Casou-se e teve dois filhos: Raul e Sebastiana – nomes atribuídos talvez por afinidade com os filhos mais velhos de Adélia.
José Homem faleceu em 1882, deixando Rita viúva, com dois filhos para criar. Diz a lenda que teria sido de uma apendicite supurada ou de um tiro acidental de espingarda.
Embora Rita fosse costureira, percebeu que não conseguiria criar os dois filhos sozinha e, por isso, ofereceu-os em adoção a famílias amigas. Adélia coube a um casal sem filhos e cresceu em Ribeirão Preto. Adélia tinha cerca de 10 ou 11 anos quando Rita apareceu em sua casa — era uma bela mulher, de olhos azuis — e se apresentou como sua verdadeira mãe. Disse D. Maria: “Adélia, esta é sua mãe”. O choque foi tremendo. Adélia saiu chorando para o quintal e nunca mais quis saber de sua mãe biológica.
Apesar de um matrimônio longevo e de ter constituído uma grande família, Adélia nunca se recuperou desse impacto emocional. Também nunca procurou essa mãe-surpresa. No entanto, seu marido, David Pimentel, manteve correspondência com a sogra durante muitos anos.
Não se sabe se mais alguém além do vovô David se correspondia com a bisavó. Ainda assim, sua existência sempre foi conhecida pela família, e havia até curiosidade em conhecê-la. Comentava-se que ela teria sangue indígena, mas pesquisas posteriores realizadas por seu bisneto César, em cidades como Jaboticabal, Catanduva e Sertãozinho, não encontraram evidências que confirmassem essa hipótese.
Rita possuía uma casa em Catanduva/SP quando sentiu que sua saúde se agravava. Pediu ao genro que providenciasse sua ida para São Paulo e vendeu sua casa a um grupo de maçons, seus amigos. Sua bisneta Cida, filha de Glória, e o marido Rubens foram buscá-la de automóvel. Ela permaneceu por um ou dois dias na casa da Clary.
Alguns filhos da Nair foram visitá-la, e ela demonstrava reconhecê-los: “São as gêmeas da Nair, Clary” ou “Você é o Júnior, da Nair”. Era surpreendente que pudesse identificar os familiares após tantos anos de afastamento.
Faleceu pouco depois, em maio de 1962, aos 101 anos. O velório ocorreu na casa da Nair, na Rua Baronesa de Itu, em São Paulo. Muitos netos e bisnetos compareceram, em um misto de comoção e curiosidade, para ver aquela que era, ao mesmo tempo, próxima e distante: a bisavó Rita.